Antes eram de ferro
Faziam barulho
Machucavam a pele
Hoje
Ninguém vê
Mas ainda prendem
Pés no chão quente, aço na mão
Olhar sem rumo, sem direção
Nomes roubados, voz calada
Vidas marcadas, alma acorrentada
Chicote estala, dor sem som
O mundo assistia, sem dizer: Não
Corpos tratados como objeto
Liberdade, um sonho incompleto
Diziam que era o fim, quando acabou
Mas só mudaram a forma da dor
Tiraram as correntes que davam pra ver
E criaram outras, difíceis de perceber
Correntes invisíveis
Nos prendem igual
Mudaram os tempos
Mas o mal é o mesmo final
Correntes invisíveis
Ninguém quer ver
Todo mundo preso
Sem perceber
Relógio correndo, vida na mão
Preso em rotina, sem direção
Trabalha, consome, sem questionar
Vive cansado, sem nem parar
Correntes na mente, medo de falar
Padrões impostos, pra se encaixar
Sorriso forçado, dor escondida
Vivendo um roteiro que não é vida
Quem controla o que você pensa?
Quem decide o que te representa?
Você escolhe, ou só repete?
Vive livre, ou só se submete?
Correntes invisíveis
Nos prendem igual
Você chama de vida
Mas parece um final
Correntes invisíveis
Difíceis de ver
Quanto mais você nega
Mais preso vai ser
Amor que prende, medo de sair
Laço que dói, mas insiste em ficar ali
Palavras que ferem, mas você aceita
Corrente no peito, que te sujeita
Vícios calados, fuga constante
Promessas vazias, ciclo distante
Tentando quebrar, mas sem perceber
Que a chave sempre esteve em você
️ [pré-refrão final, revelação]
Não é só história, não ficou pra trás
Essas correntes ainda são reais
Se não estão no corpo, estão em você
E o pior de tudo é não perceber
Correntes invisíveis
Agora eu vejo
Tudo que me prende
E eu não percebo
Correntes invisíveis
Eu vou quebrar
Não nasci pra viver
Sem poder escolher e lutar
Não importa o tempo
Nem o lugar
Toda corrente
Um dia vai se quebrar
Mas as correntes mudaram
Mas a prisão ainda existe