Branca Parede

Brother

Havia uma cadeira, em frente a parede
Parede branqueada, imaculada
Sem nenhuma mancha, sem conter nada
Sem um risco ou rabisco

Tentado fiquei, olhando aquela parede
Caiada ou não, provavelmente pintada a mão
Ora, posso fazer nela, o esboço daquilo que quero
E entre riscos e rabiscos, círculos e quadrados

Círculos, os círculos, sempre terminam onde começam
Não importa o tempo, que leva para traçá-los
É no início, que sempre irão terminar
Mas não posso me apegar, a uma simples forma esférica
Pois o futuro, qual espero, esse anda em linha reta

Futuro, o futuro, o que espero do futuro?
Serão dias de luz ou dias obscuros?
Como posso planejar? Como posso eu agir?
Pois o futuro é a teoria, que geralmente
Não corresponde a prática, a prática
Eis que então me vejo na inércia, sentado na cadeira
Estou frente à parede, ainda branqueada, imaculada
Pois nem um giz sequer eu tenho, para traçar meus planos
Nem sequer saberei, se da cadeira levantarei

Mas que incógnita é a nossa vida
É como a parede branqueada, imaculada, caiada ou não
Talvez pintada a mão, quem saberá
Sem um risco ou rabisco, traçados ou esboços

Simplesmente uma parede, uma branca parede


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