Vivaldo

Bernardo Sena

Ele andava na sombra, no olhar tempestade
Carregava no peito a dor da saudade
O pai no silêncio, a mãe a chorar
E ele, sem escolha, aprendeu a lutar
E ele, sem escolha, aprendeu a lutar

Noite adentro, o velho ausente
A mãe se perdia num medo latente
Vivaldo crescia sem riso no rosto
Engolia o choro, vestia desgosto
Engolia o choro, vestia desgosto

Vivaldo, larga esse fardo
O mundo não pesa só nos teus ombros ooh
Ser forte não é ser calado (calado)
Chorar não te faz menos homem no tombo ooh
Vivaldo, larga esse fardo
O mundo não pesa só nos teus ombros ooh
Ser forte não é ser calado
Chorar não te faz menos homem no tombo ooh

O fogo chegou como aviso tardio
No peito a coragem, nos olhos um frio
Ele salvou quem podia salvar
Mas dentro das chamas, ficou pra ficar
Mas dentro das chamas, ficou pra ficar

Se pudesse escolher um novo caminho
Talvez largaria esse velho espinho
Mas o mundo lhe disse, que era sua sina
Ser muro, ser rocha, ser dor que ilumina
Ser muro, ser rocha, ser dor que ilumina

Vivaldo, larga esse fardo
O mundo não pesa só nos teus ombros, ooh
Ser forte não é ser calado (calado)
Chorar não te faz menos homem no tombo, ooh, vivaldo, larga esse fardo
O mundo não pesa só nos teus ombros, ooh
Ser forte não é ser calado
Chorar não te faz menos homem no tombo, ooh

Se o tempo voltasse, se a dor permitisse
Talvez sorrisse, talvez sentisse
Mas agora na brisa, no vento que passa
Vivaldo é livre, dançando na praça
Vivaldo é livre, dançando na praça

Ah, vivaldo, solta esse pranto
Teu nome é viver, não é só quebranto
Se abraça, se encontra, se deixa sonhar
Ah, a vida não pede pra se sacrificar
Se abraça, se encontra, se deixa sonhar
Ah, a vida não pede pra se sacrificar
Aah


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