Mulheres dos Justinos

Bernardo Sena

Mulheres, mulheres, dos justinos
Mulheres, mulheres, destinos finos
Mulheres, mulheres, silêncio e dor
Mulheres, mulheres, sementes de amor

Choram baixinho, ninguém escutou
Vivem caladas, ninguém as cuidou
Presas em correntes, vozes presas
Guardam segredos, velhas certezas

Mulheres, mulheres, dos justinos
Mulheres, mulheres, sementes de amor
Mulheres, mulheres, dos justinos
Mulheres, mulheres, sementes de amor

Força escondida, força contida
No peito guardam chama da vida
Mesmo na sombra guardam clarão
Mesmo no cárcere, guardam visão

Mulheres, mulheres, dos justinos
Mulheres, mulheres, sementes de amor
Mulheres, mulheres, dos justinos
Mulheres, mulheres, sementes de amor

Elas, elas, elas, resistem
Elas, elas, elas, insistem
Elas, elas, elas, existem
Elas, elas, elas, persistem

Não precisam da sombra, não precisam da voz
Não precisam da força que oprimiu a sós
Não precisam das calças, do chapéu da prisão
Têm sua vez, sua canção

Cantam essência, não cantam de galo
Levantam-se livres, quebrando o estalo

Quem são essas vozes que posso escutar?
Mulheres que curam, que podem guiar
Não foi minha mãe, mas pode ser em mim
O melhor que carrego, começo e fim

Essas mulheres não repetem dor
Essas mulheres transformam em flor
Essas mulheres não carregam prisão
Elas libertam, elas são canção

Não há mais calma, não há mais medo
A roda gira, revelando o segredo
Mulheres, mulheres, do fim ao começo
Mulheres que cantam: Eu renasço, eu renasço

Mulheres, mulheres, dos justinos
Mulheres, mulheres, sementes de amor
Mulheres, mulheres, dos justinos
Mulheres, mulheres, sementes de amor

Mulheres, mulheres, dos justinos
Mulheres, mulheres, sementes de amor
Mulheres, mulheres, dos justinos
Mulheres, mulheres, sementes de amor


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