Casa de Barro

Bernardo Sena

Essa é uma carta, à casa do socorro
Obrigado casa de barro
Por me abrigar e me proteger
Durante minha jornada
Por sempre me acolher

Essa é uma carta, à casa do socorro
Obrigado casa de barro
Por me abrigar e me proteger
Durante minha jornada
Por sempre me acolher

Você não parece bonita
E para alguns sua aparência chega à, assustar
Ou chama a atenção para ajudar

Talvez você queria me dar
Bem mais do que eu precisava
Mas na sua simplicidade
Você me deu, o que eu necessitava

Desculpe-me por ter reclamado da primeira noite que passei aí
Os mosquitos e insetos me atacaram e sem o conforto que eu tinha
Sem um banheiro para usar, eu reclamei, aí
Dizendo que você não era amiga de verdade e esqueci que você me deu a mão

E quando você me pediu água
Sentindo raiva, eu não quis lhe dar
Fiz tua caixa d'água secar, eu te evitei
Não quis te ver nem te ouvir
Me senti preso naquele lugar
E decidi te interditar e
Deixando te para trás, partir

Essa é uma carta, à casa do socorro
Obrigado casa de barro
Por me abrigar e proteger
Durante minha jornada
Por sempre me acolher

Tirei a faixa do não ultrapasse
Não há mais barreira para me deter e impedir
Não há mais faixas de perigo, se afaste, caiu
A faixa do não ultrapasse caiu
A barreira da minha mente caiu
A barreira da minha mente caiu

O bichim voltou para sua casa interior
Viu suas máscaras e tratou da sua antiga dor
O bichim vai sair da casa do socorro
Da sua dependência emocional, ele já melhorou

Essa é uma carta, à casa do socorro
Obrigado casa de barro
Por me abrigar e me proteger
Durante minha jornada
Por sempre me acolher

Desejo que ela sempre continue de pé
De portas abertas para os necessitados, servir de abrigo

Oh, casa de barro
Oh, casa de barro
Oh, casa de barro


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