Estamos na caixa
Na caixa da vida
Estamos na caixa
Na caixa da vida
Não sei dê onde vim
Não sei para onde eu vou
Não sei dê onde vim
Não sei para onde eu vou
Olho o chão se mover devagar
Formiga levando o mundo no olhar
Vento arrastando folhas e histórias
Tudo gira sem parar
O tempo dobra e me faz lembrar
Que sou só mais um sopro no ar
Estamos na caixa
Na caixa da vida
Estamos na caixa
Na caixa da vida
Não sei dê onde vim
Não sei para onde eu vou
Não sei dê onde vim
Não sei para onde eu vou
Ouço o canto do grilo, o latir do cão
Um eco antigo batendo no chão
Cada ser é um ponto de luz
Dentro da mesma prisão
A chuva canta no telhado
Meu nome escorre pelo lado
Me vejo em tudo, até no chão
Sou barro, sou respiração
Um pássaro risca o céu rasgando
Meu pensamento vai voando
Talvez o voo seja o caminho
Que o corpo esquece, mas segue sozinho
Se eu abrir a tampa, o que verei?
Um novo corpo, ou ninguém?
Talvez a vida só mude de pele
E siga além do além
Dentro da caixa há som, há cor
Há nascimento, há dor e amor
Há o silêncio que me revela
Sou quem observa a centelha
E se o fim for só começo
Talvez o medo seja o preço
De ser um ponto dentro do todo
E se enxergar no próprio rodo
Estamos na caixa
Na caixa da vida
Estamos na caixa
Na caixa da vida
Não sei dê onde vim
Não sei para onde eu vou
Não sei dê onde vim
Não sei para onde eu vou
Sou parte do todo
Sou vento e calor
Sou quem observa
Sou quem se formou
A caixa respira, a caixa é mar
É corpo, é tempo, é lugar
E quando ela se abrir, enfim
Descubro que a caixa sou eu
E ela cabe em mim