Retalhos

Aurora Valente

Olho pro lado e vejo o que eu construí
Cada pedaço de pano que eu escolhi
Tem o xadrez da infância, o cheiro do chão
Tem a seda macia da primeira paixão
Mas tem também o brim grosso que a vida rasgou
E o remendo apressado que a dor me deixou

Eu já tentei esconder o que foi desbotado
Tive vergonha do que estava descosturado
Mas hoje eu entendo, olhando pro espelho
Que a beleza do quadro é o branco e o vermelho

A minha vida é uma colcha de retalhos!
Entre flores de campo e alguns cascalhos
Cada erro é um ponto, cada acerto é uma cor
Eu sou o resultado do riso e da dor!
Não sou tecido liso, sou trama e sou nó
A gente se quebra pra ser um só!

Tem o retalho escuro daquela ausência
Que me ensinou o valor da sobrevivência
E tem esse novo, brilhante e valente
Que costurei com o que tenho na frente
Puxa a linha, aperta o ponto, deixa o tempo passar
Ninguém aprende a ser inteira sem antes se quebrar!
A minha história é minha e de mais ninguém!

A minha vida é uma colcha de retalhos!
Entre flores de campo e alguns cascalhos
Cada erro é um ponto, cada acerto é uma cor
Eu sou o resultado do riso e da dor!
Não sou tecido liso, sou trama e sou nó
A gente se quebra pra ser um só!

É, a gente vai costurando a vida, um dia de cada vez
Obrigada por me acompanhar nessa jornada e por ouvir a minha história
A gente se vê na próxima porteira


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