Viva Jorge, punho cerrado!
De armadura ou descalçado!
No desespero urbano do dia
É teu nome que nos alumia!
No alto do morro apertado
Tem reza de olho fechado
Tem moto subindo enlouquecida
Tem gente jurando a própria vida
Viatura descendo a ladeira
Sirene cortando a favela inteira
Um jovem encosta na parede
Suplica teu nome e não cede
No ponto de ônibus há demora
O corpo cansado te implora
Cartão recusado na feira
Fome rondando a geladeira
Viva Jorge, punho cerrado!
De armadura ou descalçado!
No desespero urbano do dia
É teu nome que nos alumia!
Na encruza o povo se cala
Cada reza desvia a bala
O medo corre, o coração ferve
Ninguém dorme, mas Jorge serve
Nas vielas o fumo fede
A fé tropeça, mas não se perde
Teu cavalo pisa na rua
E todo mal se acovarda e recua
Os bancos rezam pelo lucro
O pobre implora no escuro
Mas tua lança corta o lugar
Onde a ameaça quer mandar
Viva Jorge, punho cerrado!
De armadura ou descalçado!
No desespero urbano do dia
É teu nome que nos alumia!
No relógio do salário
O tempo é sempre precário
Mas o senhor ri do trono e do rei
Ninguém domina tua lei
Quando a noite vira sermão
E o medo prega punição
Tua espada brilha no caos
Apontando os falsos degraus
No alto do morro o clarão
São Jorge acende a revolução
Não como glória, nem como troféu
Mas com justiça, suor e céu
Viva Jorge, punho cerrado!
De armadura ou descalçado!
No desespero urbano do dia
É teu nome que nos alumia!
Tem outdoors pregando progresso
E robôs controlando o acesso
Mas lá na catraca estragada
Teu terço está pendurado na entrada
São Jorge, santo da rua
Tua coragem continua
Na madrugada vazia
É teu nome que nos alumia
Quando teu cavalo pisa no barro
Até o demônio engasga o cigarro
Se o mundo cair na covardia
É no senhor que o povo confia