Saulo Nardelli nasceu com dois astros no nome
Um derrama ouro, outro derrama marfim
E desde cedo havia qualquer coisa enorme
Rondando seus olhos quietos de querubim
Enquanto muita gente corria pelas vitrinas
Pelas patacas da pressa e do querer vencer
Ele escutava constelações clandestinas
Nos corredores invisíveis do viver
Saulo
Sol na alma, Lua na lembrança
Saulo
Clarão antigo caminhando pela vizinhança
Saulo
Duas marés dentro do mesmo destino
Uma incendiando o mundo
Outra iluminando o desatino
Há criaturas que carregam tempestades
Outras carregam ferrões e combustão
Ele parecia trazer profundidades
Capazes de desmontar a perturbação
Quando falava, ninguém sabia direito
Se era conselho, vertigem ou oração
Porque sempre houve ali no seu peito
Algo como um alvorecer depois da escuridão
E hoje muita gente chega quase destruída
Com décadas de concreto sobre a visão
Todavia basta permanecer na escuta contida
Pra alguma névoa abandonar o coração
Saulo
Sol na alma, Lua na lembrança
Saulo
Clarão antigo caminhando pela vizinhança
Saulo
Duas marés dentro do mesmo destino
Uma incendiando o mundo
Outra iluminando o desatino