Tantos corpos nas estradas
Tanta cela, tanto porão
Velhas botas regressaram
Com discurso de salvação
Generais viraram estátuas
Presidentes, tradição
Troca a farda pelo terno
Fica intacta a submissão
Colônias, velhas colônias
Quintal rico a se entregar
Muda o dono da bandeira
E ninguém deixa de mandar
Washington conhece o mapa
Do petróleo e do café
Sabe o preço dos governos
Sabe quanto compra a fé
Já venderam nossas minas
Nossos portos, nosso chão
Hoje vendem soberania
Com aplausos da nação
Colônias, velhas colônias
Quintal rico a se entregar
Muda o dono da bandeira
E ninguém deixa de mandar
Chile viu morrer setembro
Argentina conheceu
Paraguai contou seus presos
Brasil nunca os esqueceu
Uruguai guardou nas celas
O que a história registrou
Mesmo assim retorna o credo
Que tanta gente sepultou
Planos feitos no estrangeiro
Ganham selo nacional
Velha dívida obedece
Ao receituário fiscal
Chamam pátria no palanque
Com a bandeira a tremular
Mas ajoelham seus governos
Quando o Norte vem subjugar
Colônias, velhas colônias
Quintal rico a se entregar
Muda o dono da bandeira
E ninguém deixa de mandar
Foram milhares de mortos
Pelo cárcere estatal
Foram décadas perdidas
Num terror continental
Documentos hoje contam
O que tentaram ocultar
Mesmo assim velhos fantasmas
Voltam sempre a desfilar
Do Caribe à Patagônia
Outra marcha ganha o coração
Velhos pactos reaparecem
Com moderna tradução
Já não exigem quartéis
Se uma urna pode servir
Já não vestem os uniformes
Para o mando prosseguir
Colônias, velhas colônias
Quintal rico a se entregar
Muda o dono da bandeira
E ninguém deixa de mandar
Adeus liberdade
Adeus terras raras
Ajoelhados aos ianques
As mentes com amarras
Nossa América carrega
Cicatrizes de invasão
Séculos mudaram datas
Não mudaram a condição
As veias abertas da América Latina
Fluem rios de dominação
E ninguém para e percebe
Que vive uma exploração
Grande quintal
Grande quintal
Grande e explorado
Quintal