Ó homem, seja sua própria chama
Seu bem, seu mal, seu renascer
Arde e consome o que te inflama
Para o eterno em você poder viver
Ó homem, seja sua própria chama
Seu bem, seu mal, seu renascer
Arde e consome o que te inflama
Para o eterno em você poder viver
No alto o Sol arde em febre antiga
E o homem sonha ser além do ser
Quer libertar-se da sombra amiga
E ser quem cria o próprio amanhecer
O mundo corre e nada tem sentido
A dor é mestre do compreender
Quem quer viver sem ter o medo erguido
Precisa em si mesmo renascer
Deus se calou, o verbo foi esquivo
O homem herda o peso do poder
Ser livre é ser mortal e fugitivo
Mas é na queda que se vai crescer
Ó homem, seja sua própria chama
Seu bem, seu mal, seu renascer
Arde e consome o que te inflama
Para o eterno em você poder viver
O homem novo caminha em fogo e vento
Rindo do horror e do temer
Na solidão encontra o alimento
De ser princípio e de se refazer
A dor não é castigo, é natureza
É rito, é força a florescer
Quem nega a dor trai a grandeza
Quem a abraça sabe vencer
No eterno ciclo tudo volta
A vida é um sim a persistir
O tempo é ouro, a morte é porta
E o mesmo instante há de se repetir
Ó homem, seja sua própria chama
Seu bem, seu mal, seu renascer
Arde e consome o que te inflama
Para o eterno em você poder viver
Desfaz a culpa, ri da certeza
Cria valores ao existir
Na frivolidade está a sua beleza
No risco mora o seu porvir
A moral velha é cárcere e engano
É o medo de se decidir
Quem ama o mundo sem tirano
Aprende o instinto de expandir
O sim da vida é puro e trágico
É a canção de resistir
Pois ser é fogo dionisíaco
Que queima o próprio devir
Ó homem, seja sua própria chama
Seu bem, seu mal, seu renascer
Arde e consome o que te inflama
Para o eterno em você poder viver
Ó homem
Ó homem
Nietzsche é nosso filósofo querido
Que pensa a golpes de martelo!
Ó homem, seja sua própria chama
Seu bem, seu mal, seu renascer
Arde e consome o que te inflama
Para o eterno em você poder viver