O Homem do Saco

Astrikos Katoikos

Na viela viscosa, vigiada por vermes
Um saco de estopa, saturado de germes
Arrasta a cidade em seu hálito infecto
Amálgama pútrido de instinto e dejeto

Carcaça ambulante, catarro de rua
Nutre-se em lodo que a ordem perpetua
Engole a infância com ato gelado
Produto colhido no descaso legado

A cidade consente com silêncio lucrativo
Fornece o descarte com contrato nocivo
Cada abandono é matéria-prima de maltrato
Vira no saco mais um cadáver abstrato

O Homem do saco é catálogo humano
Recolhe a sobra do sadismo urbano
Não aparece claramente, não faz ritual
Atua na hipocrisia do acordo social

O Homem do saco é catálogo humano
Recolhe a sobra do sadismo urbano
Não aparece claramente, não faz ritual
Atua na hipocrisia do acordo social

Saco que esconde as vísceras sociais
Recheio de culpas e restos banais
O horror que escapa tem gosto de pus
Carrega na trama a miséria que seduz

Chamam de mito, consolo pueril
Mas cresce nos becos com método vil
Quanto mais falha o cuidado essencial
Mais ele se firma no quadro geral

Figura grotesca de desejo nefasto
Sintoma medonho de descuido e desgasto
Não vem do escuro por essência ancestral
Mas nasce no lixo do roteiro social

O Homem do saco é catálogo humano
Recolhe a sobra do sadismo urbano
Não aparece claramente, não faz ritual
Atua na hipocrisia do acordo social

Quando o saco fede na esquina vadia
Não é só um vulto, é a própria agonia
Um homem que colhe, com zelo brutal
O que a cidade deixou como normal

O Homem do saco é catálogo humano
Recolhe a sobra do sadismo urbano
Não aparece claramente, não faz ritual
Atua na hipocrisia do acordo social

Se não se comportar
O homem do saco vai te levar

O Homem do saco é catálogo humano
Recolhe a sobra do sadismo urbano
Não aparece claramente, não faz ritual
Atua na hipocrisia do acordo social


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