Num porto antigo um velho contou
De rotas sem mapa que nunca navegou
Falou de navios que ao longe sumiam
Em águas onde as estrelas nem apareciam
Um jovem marinheiro decidiu partir
Jurou pelo vento que iria descobrir
Levou uma tripulação sem saber
Que além do horizonte algo iriam viver
Por dias o mar ficou parado demais
Nenhuma ave, nenhum sinal de cais
A bússola girava sem direção
E o céu parecia negar qualquer orientação
Os monstros marinhos nos aguardam
Longe da costa o mundo não é igual
Há criaturas colossais no precipício naval
Quem avança além da linha do último farol
Vira história sob o derradeiro arrebol
Os monstros marinhos nos aguardam
Longe da costa o mundo não é igual
Há criaturas colossais no precipício naval
Quem avança além da linha do último farol
Vira história sob o derradeiro arrebol
À noite surgiram marcas nas águas
Linhas profundas como antigas mágoas
Algo passava sob o casco devagar
Grande demais para sequer imaginar
Uma sombra subiu junto ao costado
Um olho imenso surgiu do outro lado
Um braço titânico tomou o convés
E puxou um homem, arrastando-o pelos pés
A tripulação entrou em desespero total
Cordas cortadas, canhões em sinal
O oceano se abriu como boca sem fim
E outro monstro surgiu, branco como marfim
Os monstros marinhos nos aguardam
Longe da costa o mundo não é igual
Há criaturas colossais no precipício naval
Quem avança além da linha do último farol
Vira história sob o derradeiro arrebol
Ao amanhecer não restava embarcação
Apenas destroços sem nenhum perdão
E o velho no porto voltou a dizer
Que há lugares nos Pélagos
Onde não se deve nem ver
Os monstros marinhos nos aguardam
Longe da costa o mundo não é igual
Há criaturas colossais no precipício naval
Quem avança além da linha do último farol
Vira história sob o derradeiro arrebol
Além das rotas conhecidas não há mais lugar
Aqueles que vigiam distantes irão te afundar
O mar guarda nomes que ninguém escreveu
E apaga todo aquele que um dia se atreveu
Os monstros marinhos nos aguardam
Longe da costa o mundo não é igual
Há criaturas colossais no precipício naval
Quem avança além da linha do último farol
Vira história sob o derradeiro arrebol