Um mundo esquecido sem mapa nem dono
Um gorila imenso reinando em seu trono
Nenhuma plateia, nenhuma medida
Uma força que caminhava sem ser impedida
Vieram os homens com regra e vitrine
Desejo ambicioso que sequestra e define
O Deus de uma ilha virou alegoria
Um monstro colossal feito mercadoria
Um trono de pedra trocado por cela
Virou espetáculo enquanto pensava na donzela
A oitava maravilha do mundo reduzida ao olhar
Um gigante único exibido pra massa julgar
King Kong morreu!
E não foram aviões que o venceram
Foram os homens que nunca o entenderam
Não foi o grande pavor que decidiu
Foi ver beleza e não caber no que surgiu
King Kong morreu!
E não foram aviões que o venceram
Foram os homens que nunca o entenderam
Não foi o pavor que decidiu
Foi ver beleza e não caber no que surgiu
Mãos que esmagavam montanhas e vida
Aprenderam a acariciar a forma querida
Naquele encontro o mundo desabou
King Kong descobriu o que não celebrou
Um amor imenso sem forma possível
Puro demais para o plano visível
A morte não veio da esquadrilha nem da guerra
Veio do olhar raso que mede e encerra
King Kong morreu!
E não foram aviões que o venceram
Foram os homens que nunca o entenderam
Não foi o pavor que decidiu
Foi ver beleza e não caber no que surgiu
A fera olhou a face da beleza
E a beleza acalmou a fera
Desde esse dia começou a tristeza
A fera ficou à mercê da morte, o fim de sua era
King Kong morreu!
E não foram aviões que o venceram
Foram os homens que nunca o entenderam
Não foi o pavor que decidiu
Foi ver beleza e não caber no que surgiu