O ar se parte em lentidão
O peito tenta reter mais
Mas tudo escorre em fatalidade
Como uma argila que se desfaz
As veias choram sob a pele
A luz se apaga devagar
A mente busca uma prece antiga
Que já não sabe pronunciar
A carne esfria e pede trégua
A hora chega, quer ficar
O corpo pesa como pedra
E o tempo cessa de passar
Isso é só o fim, tão simples e nu
Sem voz divina a te salvar
Um hiato curto, uma lembrança
E a noite vem te acompanhar
O som distante se dissolve
Nenhum socorro quer chegar
O chão sob os pés agora é nada
Mas que agora aprende a te abraçar
O olho ainda aberto já não vê
O coração decide parar
As mãos desatam da matéria
Sem saber onde repousar
O mundo gira lá de fora
Mas você não pode mais voltar
O que era sonho vira sombra
O que era amor se faz calar
Isso é só o fim, tão simples e nu
Sem voz divina a te salvar
Um hiato curto, uma lembrança
E a noite vem te acompanhar
E o corpo fica, inerte e frio
Na solidão de não estar
Um nome, um rosto, uma lembrança
Um nada pronto a continuar
Isso é só o fim, tão simples e nu
Sem voz divina a te salvar
Um hiato curto, uma lembrança
E a noite vem te acompanhar
Isso é só o fim, tão simples e cru
Sem nenhum Deus a te consolar
Um instante breve, uma vivência
E a morte vem te arrastar