Bantos do Brasil

Astrikos Katoikos

Dos reinos do Kongo, de Ndongo e Benguela
Milhares partiram na infâmia da escravidão
O Atlântico guardou uma história severa
De povos arrancados de sua própria nação

Nos porões dos navios, a morte era frequente
Enquanto os mercadores disputavam seu quinhão
Cada vida possuía um preço conveniente
Na contabilidade infame da exploração

Trouxeram suas línguas, costumes e saberes
Guardados na memória de gerações passadas
Deixaram no Brasil palavras e dizeres
Que vivem no cotidiano de tantas jornadas

Bantos do Brasil, herança ancestral
A sua resistência venceu a opressão
Nenhum poder apaga a violência colonial
Nem sua contribuição para esta nação

Bantos do Brasil, presença e raiz
A história lhes deve respeito e reparação
Na cultura que floresce por todo este país
Continua a grandeza de sua tradição

Na forja, nos engenhos, na lavoura castigada
A riqueza colonial crescia com a exploração
Na mineração, na construção, na longa jornada
O trabalho escravizado alimentava a produção

Nos antigos calundus, a sabedoria persistia
Nas folhas, nos rituais, na força da devoção
Apesar da perseguição que a todos oprimia
Seus conhecimentos resistiram à dominação

Bantos do Brasil, herança ancestral
A sua resistência venceu a opressão
Nenhum poder apaga a violência colonial
Nem sua contribuição para esta nação

Bantos do Brasil, presença e raiz
A história lhes deve respeito e reparação
Na cultura que floresce por todo este país
Continua a grandeza de sua tradição

Do Kongo ao Brasil, a distância se estendia
Separando famílias, afetos e gerações
Na lembrança dos ausentes, a saudade persistia
Conservando antigas crenças e recordações

Nos quilombos floresceram projetos de liberdade
Nas revoltas, a coragem enfrentou a tirania
Cada fuga denunciava a brutal desigualdade
Cada insurreição desafiava a monarquia

Nos batuques, a memória ganhou continuidade
Preservando antigos ritmos e celebrações
A herança africana conquistou vitalidade
E floresceu na cultura de sucessivas gerações

Bantos do Brasil, herança ancestral
A sua resistência venceu a opressão
Nenhum poder apaga a violência colonial
Nem sua contribuição para esta nação

Bantos do Brasil, presença e raiz
A história lhes deve respeito e reparação
Na cultura que floresce por todo este país
Continua a grandeza de sua tradição

A capoeira reuniu destreza e resistência
A congada preservou a majestade ancestral
Cada celebração afirmou sua permanência
Apesar da perseguição do poder colonial

Jamais foi concessão aquela sobrevivência
Tampouco generosidade de algum dominador
Foi conquista de pessoas submetidas à violência
Que enfrentaram a injustiça com coragem e vigor

Ainda pesa no Brasil a dívida da escravidão
Que se revela na desigualdade persistente
Celebrar essa herança exige reparação
E justiça para a população afrodescendente

Bantos do Brasil, herança ancestral
A sua resistência venceu a opressão
Nenhum poder apaga a violência colonial
Nem sua contribuição para esta nação

Bantos do Brasil, presença e raiz
A história lhes deve respeito e reparação
Na cultura que floresce por todo este país
Continua a grandeza de sua tradição


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