Sal na Bota Polvora na Lingua

Alexandria de Sirius

Sal na bota e pólvora na língua
Vento na vela e sangue na água
Bate o pé e puxa a espada
Não há quem no mar escape
Desejamos o doce dobrão dourado
O rum e vinho e bolso furado
Nada dura na vida ou na morte
Vamos pro Sul fugindo do Norte

Marujo toma o que quer, pirata no mar qualquer
Corsário de espada veloz, somos no mar terrível algoz

Bate o pé, levanta e choca a espada
É ouro, é chumbo, é ferro da adaga
O galeão que enfrenta a corveta
Coloca a munição cruel na torreta
O osso trêmulo na seda negra
O grito da tripulação entrega
Segurando o cordame ferozmente
A canção cantada alegremente

Marujo toma o que quer, pirata no mar qualquer
Corsário de espada veloz, somos no mar terrível algoz

É Sol, sal e vento e tormenta
Vivemos pela aventura sangrenta
O butim na barriga do navio
Põe fogo e acende o pavio
Perde dente, se vai a perna
Ainda assim a busca é eterna
Aventura na esposa mais cruel
O mar, as ondas e o sabor de fel

Marujo toma o que quer, pirata no mar qualquer
Corsário de espada veloz, somos no mar terrível algoz

Põe o rum na caneca de latão
Cospe na lata, xinga o capitão
Morde a carne, balança a rede
Toma um trago e mata a sede
Amarra as cordas, solta as velas
Persegue as gaivotas branquelas
Veleja, sobe cordame e balança
Segue por onde o Sol alcança

Marujo toma o que quer, pirata no mar qualquer
Corsário de espada veloz, somos no mar terrível algoz

Para no porto e beija a donzela
Põe a moeda na mão dela
Ri da morte, chora da terra
No colo da moça a noite encerra

Marujo toma o que quer, pirata no mar qualquer
Corsário de espada veloz, somos no mar terrível algoz
Marujo toma o que quer, pirata no mar qualquer
Corsário de espada veloz, somos no mar terrível algoz

Ai!


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