O lobo e a raposa, caçadores noturnos
De antigos sofreres e agruras
Num passado distante e soturno
Ambos conheceram amarguras
Ele, força e sabedoria
Ela, agilidade e inteligência
Contra muitos inimigos lutaram
E um só coração os guiava em essência
Caçaram juntos
Por presas brigaram
Riram e choraram
Nas noites de orvalho
O calor dividiram
Sobre o abrigo de musgo
Ele contava histórias
Ela ensinava seus truques
Ele afastava as sombras
Ela trazia o riso
Ele, teimoso e sincero
Ela, brincalhona e triste
A pedra marcava o lugar
Onde, perdidos, poderiam se encontrar
Se a neve e o frio um levassem
Ela voltaria para o buscar
Ele na pedra esperou
Até o gelo marcar sua pele
A raposa perdeu-se em algum lugar
E seu céu então escureceu
A Lua chorou muitas vezes
Ao som de um uivo de dor
Então, numa noite silenciosa
Uma dama de luz chegou
Afagou-lhe o pelo com ternura
E falou com voz serena
Corra sozinho, lobinho
Corra e aprenda a caçar sozinho
Cresça, lobinho
Fique forte e encontre sua matilha
Guarde-a e defenda-a
Espere em teu território sagrado
Ela vai voltar? É lá que devo esperar? Perguntou o lobo
Não, lobinho, porque quem voltar não será mais ela
E você também já não será o mesmo
Uive feliz pela chuva
Pela água e pela sombra
Corra, cace e viva
Seja livre
E então
Ah, então a vida há de vos encontrar