O Lobo e a Raposa

Alexandria de Sirius

O lobo e a raposa, caçadores noturnos
De antigos sofreres e agruras
Num passado distante e soturno
Ambos conheceram amarguras

Ele, força e sabedoria
Ela, agilidade e inteligência
Contra muitos inimigos lutaram
E um só coração os guiava em essência

Caçaram juntos
Por presas brigaram
Riram e choraram
Nas noites de orvalho

O calor dividiram
Sobre o abrigo de musgo
Ele contava histórias
Ela ensinava seus truques

Ele afastava as sombras
Ela trazia o riso
Ele, teimoso e sincero
Ela, brincalhona e triste

A pedra marcava o lugar
Onde, perdidos, poderiam se encontrar
Se a neve e o frio um levassem
Ela voltaria para o buscar

Ele na pedra esperou
Até o gelo marcar sua pele
A raposa perdeu-se em algum lugar
E seu céu então escureceu

A Lua chorou muitas vezes
Ao som de um uivo de dor
Então, numa noite silenciosa
Uma dama de luz chegou

Afagou-lhe o pelo com ternura
E falou com voz serena

Corra sozinho, lobinho
Corra e aprenda a caçar sozinho
Cresça, lobinho
Fique forte e encontre sua matilha

Guarde-a e defenda-a
Espere em teu território sagrado
Ela vai voltar? É lá que devo esperar? Perguntou o lobo
Não, lobinho, porque quem voltar não será mais ela
E você também já não será o mesmo

Uive feliz pela chuva
Pela água e pela sombra
Corra, cace e viva
Seja livre

E então

Ah, então a vida há de vos encontrar


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