No lixo muito é jogado
Descartado ou abandonado
Sem lhe darem chance de conserto
Isso lhe aperta o peito
Ausência de ouro não é erro
Cair de joelhos não é desterro
Esquecer de si na tristeza
A luz interna é a real riqueza
Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento
Sofrimento pode ser lição
A dor que parte o coração
Perdido na lata de metal
Surge a visão do real
Maria Farrapo é a mão
Que te toca na escuridão
Da mente outrora obscurecida
Na terra triste e fendida
Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento
Amor que nunca te mede
Pelo que possui ou veste
Se errou ou se desgarrou
Mesmo quando tudo acabou
Não é porque alguém se arrasta
Ou pede esmola pela praça
Que sua luz é menor no mundo
Somos iguais no ser profundo
Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento
Quem cai pode levantar
Quem errou pode se encontrar
O humilde guarda sabedoria
Brilha em sua curadoria
Não tem medo da sujeira
Toda luz é alma inteira
Limpa antigas amarguras
E ilumina até as alturas
Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento
Metal pode ser apenas matéria
Na visão pequena e miserável
Mas o lixo, sujo e desgarrado
Pode revelar um ouro lapidado
Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento
Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento