Maria Farrapo

Alexandria de Sirius

No lixo muito é jogado
Descartado ou abandonado
Sem lhe darem chance de conserto
Isso lhe aperta o peito

Ausência de ouro não é erro
Cair de joelhos não é desterro
Esquecer de si na tristeza
A luz interna é a real riqueza

Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento

Sofrimento pode ser lição
A dor que parte o coração
Perdido na lata de metal
Surge a visão do real

Maria Farrapo é a mão
Que te toca na escuridão
Da mente outrora obscurecida
Na terra triste e fendida

Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento

Amor que nunca te mede
Pelo que possui ou veste
Se errou ou se desgarrou
Mesmo quando tudo acabou

Não é porque alguém se arrasta
Ou pede esmola pela praça
Que sua luz é menor no mundo
Somos iguais no ser profundo

Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento

Quem cai pode levantar
Quem errou pode se encontrar
O humilde guarda sabedoria
Brilha em sua curadoria

Não tem medo da sujeira
Toda luz é alma inteira
Limpa antigas amarguras
E ilumina até as alturas

Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento

Metal pode ser apenas matéria
Na visão pequena e miserável
Mas o lixo, sujo e desgarrado
Pode revelar um ouro lapidado

Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento

Maria Farrapo é guardiã
Do caído na rua pela manhã
Do abandonado no esquecimento
Do quebrado no sentimento


All lyrics are property and copyright of their owners. All lyrics provided for educational purposes only.