É Capuz de Palha, É Pé Descalço

Alexandria de Sirius

É capuz de palha, é pé descalço
É a erva certeira que cura a ferida
É a vontade mais dura que o aço
É Obaluaê, Senhor da terra fendida

Sabe a dor dos que são abandonados
O choro e a agonia dos enfermos
O torpor dos que vagam destronados
E os que caem perdidos nos ermos

É bálsamo que alivia a chaga aberta
É chá que acalma o cansaço febril
É o poder da fumaça que desperta
Aquele que sofria em tormento senil

Eee Obaluaê, ee Obaluaê

Há cura que também é doença
Há mudança que só vem
Quando a ferida se abre em presença
Do pus que o corpo contém

A cura às vezes precisa romper
O orgulho de quem não quer ver
Então vem o chão estremecer
E a dura mão de Obaluaê

A chaga que se abre atroz
A visão do sangue sofrido
O jorrar dele como uma foz
E o mal enfim banido

Me põe sob teu capuz de palha
Me ensina a ser curador certeiro
Me ajuda a tirar tudo que atrapalha
Me guia pra fora do atoleiro


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