É capuz de palha, é pé descalço
É a erva certeira que cura a ferida
É a vontade mais dura que o aço
É Obaluaê, Senhor da terra fendida
Sabe a dor dos que são abandonados
O choro e a agonia dos enfermos
O torpor dos que vagam destronados
E os que caem perdidos nos ermos
É bálsamo que alivia a chaga aberta
É chá que acalma o cansaço febril
É o poder da fumaça que desperta
Aquele que sofria em tormento senil
Eee Obaluaê, ee Obaluaê
Há cura que também é doença
Há mudança que só vem
Quando a ferida se abre em presença
Do pus que o corpo contém
A cura às vezes precisa romper
O orgulho de quem não quer ver
Então vem o chão estremecer
E a dura mão de Obaluaê
A chaga que se abre atroz
A visão do sangue sofrido
O jorrar dele como uma foz
E o mal enfim banido
Me põe sob teu capuz de palha
Me ensina a ser curador certeiro
Me ajuda a tirar tudo que atrapalha
Me guia pra fora do atoleiro