Asas Azuis

Alexandria de Sirius

Era o sonhar antes do sonho existir
Tecidos de seda perolada a reluzir
Consciências de pureza etérea
Mescladas ao que viria a ser matéria

Criadores da vida e da realidade
Moldando luzes com criatividade
Puro ato e ação primordial
Todos juntos ao som de um coral

Planetas, estrelas e mares a navegar
Saídos do caos turbilhante, do pré-criar
Corpos então foram gerados
Da mesma essência, moldados

Asas azuis e olhar profundo
Memórias antigas do mundo
Penas leves de luz magistral
Carians, sabedoria universal

Um avatar de leveza e sabedoria
Com beleza em plena calmaria
Penas, bico e olhar aguçado
Vontade de aço bem temperado

Carians, com asas azul-celestes
Condutores da vida, sábios mestres
Voo original do cosmo infante
Olhar agudo e penetrante

E na matéria começou a aventura
De experienciar aquilo que não perdura
Viajar por tudo o que antes era
O novo glorioso, mutável, espera

Asas azuis e olhar profundo
Memórias antigas do mundo
Penas leves de luz magistral
Carians, sabedoria universal

Casa nova, rocha, planta e ser
Uma partilha do anoitecer
O mergulho no ar montanhoso
O gosto do fruto saboroso

O viver era ato redescoberto
Como tocar o sonho de perto
Luz vestindo a matéria dançante
O eterno em um só instante

E essa raça primeva voou
E seu canto nas estrelas ecoou
Então outros vieram a nascer
Guiados neste novo amanhecer

Asas azuis e olhar profundo
Memórias antigas do mundo
Penas leves de luz magistral
Carians, sabedoria universal

Raças hoje tão conhecidas do cosmo
Crianças do primeiro tomo
Primeiro guiadas com amor e carinho
Depois deixadas a seguir seu caminho

Curadores de almas e mundos
Guias dos céus mais profundos
Os buscadores eles harmonizam
O reencontro consigo concretizam

Cantos de alegria e criação acertada
Mestres da geometria sagrada
Ondas de elevação, sopro divino
Chamado interno, puro e matutino

Asas azuis e olhar profundo
Memórias antigas do mundo
Penas leves de luz magistral
Carians, sabedoria universal

O voo do espírito é reconciliação
O libertar-se no ar, reconexão
Que minhas asas sejam abençoadas
E as gaiolas, enfim, estilhaçadas

Asas azuis e olhar profundo
Memórias antigas do mundo
Penas leves de luz magistral
Carians, sabedoria universal


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