ANNA DAS LÁGRIMAS

Alexandria de Sirius

Vida brilhante, por infortúnio nublada
Tristeza infinita em alma alquebrada
Anna das lágrimas, Addolorata
Flor linda que nasce, mas foi podada

O pesar é frio, gelado e cruel
Na boca deixa o amargo do fel
A perda repentina de um ente querido
É dor que atravessa o peito ferido

Não são palavras que aliviam
Nem fatos que a dor conciliam
É caco de vidro a rasgar o ser
É açoite no peito que insiste em doer

Se vêm as lágrimas e o desconsolo
A escuridão e o sentimento de abandono
A luz deste mundo se apaga num instante
E o calor se desfaz de forma sufocante

Vida brilhante, por infortúnio nublada
Tristeza infinita em alma alquebrada
Anna das lágrimas, Addolorata
Flor linda que nasce, mas foi podada

Tudo são cinzas, neblina e agonia
Olhos cegados pela lágrima fria
A fome do coração é um fio rompido
E o rosto revela o sofrimento contido

O luto é uma âncora pesada de ferro
Afunda no peito, desperta o desespero
Sufoca, retalha, castiga sem dó
E a noite parece apertar como um nó

Lágrimas de mil rios começam a verter
Toda alegria se transforma em sofrer
Um labirinto de dor profunda e pesar
Sem mapa, sem ponte, sem saber onde andar

Só aquele que compreende a dor que prende
E conhece os caminhos que a alma percorre
Pode tocar esse coração que sofre
Sem aumentar a ferida que ainda escorre

Vida brilhante, por infortúnio nublada
Tristeza infinita em alma alquebrada
Anna das lágrimas, Addolorata
Flor linda que nasce, mas foi podada

Requer mais que um simples gesto ou oração
Para tocar com cuidado uma alma em aflição
Quem chega sem preparo e tenta socorrer
Pode afundar na mesma dor sem perceber

Tempo e cuidado podem ajudar
Uma alma angustiada a chorar
É um amor forte, resistente e constante
Que resgata das sombras como luz brilhante

As lágrimas precisam cair livremente
Para aliviar o rio preso dentro da mente
Mas até aquilo que alivia a dor
Quando em excesso, pode virar predador

A chuva, uma hora, sempre há de passar
Para que o sol novamente possa brilhar
A vida é uma flor, perfumada e fugaz
Sinta o perfume que ela ainda lhe traz

Vida brilhante, por infortúnio nublada
Tristeza infinita em alma alquebrada
Anna das lágrimas, Addolorata
Flor linda que nasce, mas foi podada

Vida brilhante, por infortúnio nublada
Tristeza infinita em alma alquebrada
Anna das lágrimas, Addolorata
Flor linda que nasce, mas foi podada


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