Sonho de Poeta

Adail e Adalberto

Foi a saudade que eu senti lá do sertão
Um dia desse eu acordei sendo criança
A fazendinha cheia de gente da roça
Do outro lado conversei com a vizinhança

O ribeirão de água limpa que eu pescava
E aos domingos escondido me banhava
Os meus amigos de estilingue e calça curta
E meu cachorro caçando me acompanhava

A minha mãe lavando roupa lá na mina
Todos domingos pois ela não descansava
A minha casa cercada de pau a pique
Do mesmo jeito o seu barro conservava

No assa peixe um bando de pintassilgo
Meu cavalinho estava olhando para mim
Montado em pelo para ir trocar fubá
E ver o monjolo no sítio dos Bovoli

Minha arapuca armava na beira da mata
Pegara codorna, i inhambu e a juriti
O gavião chamando chuva no serrado
O passo preto e cantar de um bem-te-vi

O tico-tico, o tiziu e a coleirinha
Lá no café eles cantava no ponteio
O João de barro, o canário e o sabiá
Em revoada tomam conta do terreiro

E a porteira que eu passava todo dia
Quando bateu voou um bando de rolinha
Cantarolando eu voltei pra minha casa
A Lua cheia clareou nossa casinha

Quando acordei vi que tudo era um sonho
Foi tão bonito eu reviver a minha infância
Com alegria que eu voltei ao meu passado
Com meus amigos tive um dia de criança


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