Desperta escuro, dorme escuro
Vida inteira presa nesse muro
Duas horas de fila, duas de trem
Chega estourado, sai sem ninguém
Trabalha dobrado pra sobreviver
Nunca alcança o que prometem lá no jornal
Suor que não vale, salário que não cobre
O corpo cansado carregando o nome pobre
Turno duplo! O relógio não perdoa
Turno duplo! A cidade não coroa
Quem constrói o prédio nunca mora nele
Quem carrega o peso nunca vê o painel
Marmita fria, ônibus lotado
Sonho engavetado, corpo hipotecado
E quando o corpo já não aguenta mais
Descartam e trocam, sempre tem outro atrás
Não para! Não pode parar!
Não para! Não pode parar!
Só queria um domingo pra mim
Só queria acordar sem esse fim
Turno duplo! O relógio não perdoa
Turno duplo! A cidade não coroa
Quem constrói o prédio nunca mora nele
Quem carrega o peso nunca vê o painel
O relógio bate, o corpo aguenta, a alma nem tanto