Você concordou com tudo
Sem ler, sem entender, sem pausa
E agora o que você é
É produto, não usuário, não causa
A atenção virou moeda de troca
O tempo que você passa na tela, é vendido
Cada scroll é uma nota, cada busca toca
O cofre de quem te quer previsível, e rendido
Não existe serviço gratuito, existe custo oculto
O preço é o que você sente, o que você crê
Seus medos são dados, seu luto é resultado
De um algoritmo que sabe antes de você
Há coisas que o mercado não deveria tocar
A democracia, a dúvida, o afeto
Mas o mercado já chegou, e não vai dar marcha atrás
A não ser que alguém decida ser sujeito
Termos de uso, que ninguém leu
Termos de uso, que você aceitou
Vendeste o que de ti ainda era teu
E o contrato nunca te perguntou
A polarização não foi acidente
Foi o produto mais rentável do painel
O ódio engaja mais, e o engajamento vende
Não importa o que diz: Importa o cartel
E as democracias apodrecem por dentro
Enquanto o feed decide o que é verdade
Não há debate, há apenas o contento
Do que confirma o que a câmara te dá
Há coisas que o mercado não deveria tocar
A democracia, a dúvida, o afeto
Mas o mercado já chegou, e não vai dar marcha atrás
A não ser que alguém decida ser sujeito
Termos de uso, que ninguém leu
Termos de uso, que você aceitou
Vendeste o que de ti ainda era teu
E o contrato nunca te perguntou
Dados, dados, dados
Você não é o cliente, você é o produto
E o produto não tem voz, não tem voto
O produto apenas serve
Até ser substituído
Existem coisas que não têm preço
E é exatamente aí que o mercado mira
A dignidade não tem download
Mas eles estão trabalhando nisso
Termos de uso, que ninguém leu
Termos de uso, que você aceitou
Vendeste o que de ti ainda era teu
E o contrato nunca te perguntou
Termos de uso
Aceito
Processando