Caí sete vezes, contei cada uma
Não porque sou fraco, porque sou humano
A queda não é o fim, é parte da Lua
Que some e volta, não há nada vão
O vício tem o rosto de quem cuida
Mas o abraço que ele dá, sufoca devagar
Parece alivio, parece saída
Mas é a âncora que te impede de nadar
Não existe fraqueza em pedir socorro
Existe coragem em olhar pra dentro e ver
O que não serves mais, o que é um estorvo
E ter a disciplina de soltar, e recomeçar
O que não controlas, não te deve custar a paz
O que controlas, cobra tua ação agora
Não amanhã, não quando passar demais
Agora, que o amanhã ainda não te ancora
Sete vezes você caiu, sete vezes volta
Não porque é fácil, porque é necessário
As correntes que te prendem não são sólidas
São hábito, e hábito também é provisório
Cuidar de si não é luxo, é o mínimo
É o que resta quando tudo fica à deriva
O autocuidado não é um caminho tímido
É a raiz mais funda, a que ainda sobreviva
A impermanência não é punição
É o que garante que a dor não dura pra sempre
O mesmo que dissolve a sua fundação
Dissolve também o peso que te prende
O que não controla, não te deve custar a paz
O que controla, cobra sua ação agora
Não amanhã, não quando passar demais
Agora, que o amanhã ainda não te ancora
Sete vezes você caiu, sete vezes volta
Não porque é fácil, porque é necessário
As correntes que te prendem não são sólidas
São hábito, e hábito também é provisório
Resiste, resiste, resiste
Não pela glória, não pelo aplauso
Resiste porque és o único
Que pode viver a tua vida
E isso, já é razão suficiente
A estrada do meio não é fácil
Não é rendição, não é excesso
É o ponto onde és dono do que fazes
Sem culpa, sem discurso, sem retrocesso
Sete vezes você caiu, sete vezes volta
Não porque é fácil, porque é necessário
As correntes que te prendem não são sólidas
São hábito, e hábito também é provisório
Sete vezes
Sete vezes
Voltas