Tic-tac, o mundo tem um relógio
E ele não marca hora, marca aviso
Os ponteiros andavam sem rosto
Girando em círculos que eu fingia não ver
Toda vez que o mesmo número aparecia
Eu ria e seguia em frente sem entender
Três da manhã, três vezes seguidas
O mesmo sonho batendo na porta
Eu acordava suado, gritando por dentro
Mas de manhã fingia que a noite era morta
Quantos avisos cabem numa vida
Antes que o relógio pare de avisar
Relógio do mundo girando sem pressa
Marcando o tempo que eu recusei a ouvir
Cada volta um aviso ignorado
Cada hora uma chance de fugir
Eu vi os ponteiros, vi e não cri
E o tempo cobrou tudo no fim
O sonho sempre terminava igual
Uma porta se fechando ao longe
Eu acordava e seguia a rotina
Como se o aviso fosse só um transe
Relógio do mundo girando sem pressa
Marcando o tempo que eu recusei a ouvir
Cada volta um aviso ignorado
Cada hora uma chance de fugir
Eu vi os ponteiros, vi e não cri
E o tempo cobrou tudo no fim
Bate, bate, o tambor do tempo
Bate, bate, eu não escutei
Bate, bate, era tão claro
E eu chamei de medo o que era a lei
Relógio do mundo girando sem pressa
Marcando o tempo que eu recusei a ouvir
Cada volta um aviso ignorado
Cada hora uma chance de fugir
Eu vi os ponteiros, vi e não cri
E o tempo cobrou tudo no fim
Tic-tac, o mundo tem um relógio
E ele não marca hora, marca aviso