Foi essa mão que deu banho, que deu comida
Que ficou acordada esperando ele voltar de vida
É essa mesma mão que agora segura o caixão
Que penteia o cabelo numa última visão
Não é justo enterrar quem a gente pariu
A ordem do mundo deveria ser ao contrário
Mão que cria! Mão que enterra!
A mesma mão que guerra essa terra
Ninguém me prepara pra esse tipo de dor
Perder um filho pra bala, pra estado, pra cor
No caixão fechado porque o corpo não permite
Na fila do velório, mais uma mãe repete
Ele era trabalhador, ele não tava envolvido
Como se precisasse provar pra ter sido ouvido
Nenhuma mãe deveria! Nenhuma mãe deveria
Enterrar o próprio filho antes do seu dia!
Mão que cria! Mão que enterra!
A mesma mão que guerra essa terra
Ninguém me prepara pra esse tipo de dor
Perder um filho pra bala, pra estado, pra cor
Eu criei, eu enterrei, e ainda assim eu sigo de pé