Nota fiscal esconde o caminho do pó
Político assina, banco garante o favor
Sangue nas ruas, lucro na tela
Todo cadáver tem o seu valor
Quem manda matar nunca suja a mão
Quem carrega a arma é o bode expiatório
Facção, gabinete, mesma cadeia
Só muda o terno, muda o cartório
Lavagem de sangue, dinheiro sem cor
Cada conta oculta esconde um tambor
Não é a rua que financia a guerra
É o cofre engravatado que aperta o gatilho e erra
Encomendam mortes como quem compra ação
Bala é mercadoria, defunto é cotação
O jornal mostra o pobre com a arma na mão
Esconde a assinatura que autorizou a remessa e o avião
Não existe fronteira pro dinheiro sujo
Só existe fronteira pra quem morre no barro
Lavagem de sangue, dinheiro sem cor
Cada conta oculta esconde um tambor
Não é a rua que financia a guerra
É o cofre engravatado que aperta o gatilho e erra