Antes do primeiro segundo
Não havia tempo, não havia fome
E o universo não esperou permissão
Para existir, e nem vai esperar seu nome
Cada galáxia foge da outra em silêncio
Como se o espaço não pudesse suportar
A própria presença, e o vazio denso
É o único destino que não dá pra mudar
As estrelas morrem em explosão de luz
E o que sobra é poeira, é quase nada
A gravidade curva até a própria cruz
Do tempo, e nada escapa da jornada
Não somos o centro de coisa nenhuma
Somos ruído num universo sem resposta
A pergunta não tem quem a consuma
O silêncio vence, e não tem custo
Frio absoluto, onde tudo termina
Frio absoluto, onde tudo se iguala
O universo não tem fim que nos ilumina
Só a expansão, que tudo separa
A entropia não pede licença ao belo
Dissolve o que construímos com paciência
Não existe seta diferente do modelo
Só a direção do caos, e sua cadência
Buracos negros engolem o que foi luz
E nem a luz consegue escapar de si
A informação se perde, e o que nos seduz
É a ilusão de que houve começo e fim aqui
Expansão, expansão, expansão
Nada vai ficar no mesmo lugar
Nada vai lembrar que existimos
O universo não tem memória
Só o frio que deixamos pra trás
E ainda assim acordamos de manhã
E fingimos que o Sol foi feito pra gente
Que somos o projeto, a obra, a manhã
Somos um acidente, consciente
Frio absoluto, onde tudo termina
Frio absoluto, onde tudo se iguala
O universo não tem fim que nos ilumina
Só a expansão, que tudo separa