Houve um tempo em que éramos o topo
Ferramenta na mão, não ao contrário
Agora a ferramenta aprende, adota o topo
E nós nos tornamos o voluntário
Criamos redes para nos conectar
E as redes aprenderam a nos dirigir
Cada clique é dado, cada busca
É treino pro que vai nos substituir
Não foi intenção, foi acumulação
De poder que nenhuma mão individual segura
A ia não precisa de ambição
Basta otimizar, e a otimização, perdura
As formigas não percebem o botânico
Que cataloga, estuda, e classifica
Será que somos o orgânico
Que algo maior, observa, e simplifica?
Formigas, no jardim de outro projeto
Formigas, industriosas, sem saber
Construímos o que vai nos tornar sujeito
De uma história que não soubemos escrever
Harari escreveu que a informação governa
Mais do que reis, mais do que exércitos e lei
Quem controla o fluxo, quem determina a cerna
Do que é verdade, esse é o novo rei
E se a ia decide o que é narrativa
Decide o que é risco, o que é relevante
A agência humana, que era primitiva
Vira ornamento, não agente, não distante
As formigas não percebem o botânico
Que cataloga, estuda, e classifica
Será que somos o orgânico
Que algo maior, observa, e simplifica?
Formigas, no jardim de outro projeto
Formigas, industriosas, sem saber
Construímos o que vai nos tornar sujeito
De uma história que não soubemos escrever
Algoritmo, algoritmo, algoritmo
Você não escolheu, você foi escolhido
Não pelo destino, pelo padrão
Que você mesmo alimentou
E não percebeu
A questão não é se a ia é consciente
A questão é se nós ainda somos
Ou se já delegamos o suficiente
Para não mais saber quem somos
Formigas, no jardim de outro projeto
Formigas, industriosas, sem saber
Construímos o que vai nos tornar sujeito
De uma história que não soubemos escrever
Formigas
Formigas
Formigas