Sirene ao longe, silêncio armado
Nome da rua nunca foi registrado
Não tem asfalto, não tem poste aceso
Só o eco de um estado que nunca veio
Cortaram a linha no papel e na pele
Fingem que aqui não pulsa nenhuma vida
Risca no mapa, risca na história
Mas essa terra guarda outra memória
Fora do mapa! Mas eu tô de pé!
Fora do mapa! Meu sangue não se vê
Riscaram minha rua, riscaram minha gente
O que sobrou aqui foi resistência ardente
Esgoto a céu aberto, fio desencapado
Enquanto o centro ganha viaduto iluminado
Fronteira que ninguém assume no discurso
Terra de ninguém vira terra de recurso
Sem mapa! Sem voz! Sem lei!
Sem mapa! Sem voz! Sem lei!
Fora do mapa! Mas eu tô de pé!
Fora do mapa! Meu sangue não se vê
Riscaram minha rua, riscaram minha gente
O que sobrou aqui foi resistência ardente
Riscaram a linha, eu continuo aqui