Me venderam um céu pra eu aguentar o inferno aqui
Me disseram pra orar
Enquanto roubavam de mim
A fé virou produto
O dízimo virou prisão
E a salvação tem preço
De cartão de crédito na mão
Sartre dizia
Se Deus não existe, eu sou responsável
Por tudo que eu faço
Por cada gesto miserável
Mas me ensinaram a esperar
Um milagre que não vem
Enquanto a vida passa
E a miséria continua também
Deus de plástico
Vendido na prateleira
Deus de plástico
Fé que virou bandeira
Me prometeram o céu
Pra eu calar na terra
Deus de plástico
E a fome não dá trégua
O pastor tem jatinho
O fiel tem só a dor
Promessa de bonança
Pra quem doa o suor
Usam o nome do sagrado
Pra explorar o desespero
E quem questiona a fé
É tratado como o cordeiro perdido
Não nego quem acredita
Nego quem usa a crença
Como arma de controle
Como muro
Como sentença
Condenado a ser livre
Mas me querem ajoelhado
Livre pra pensar
Mas me querem amordaçado
Deus de plástico
Vendido na prateleira
Deus de plástico
Fé que virou bandeira
Reza e obedece
Eu não vou ajoelhar
Doa e acredita
Eu não vou sustentar
Espera o milagre
Eu vou me salvar sozinho
Não tem Deus no plástico
Só tem homem explorando
Quebro o ídolo
Rasgo a venda
Levanto a cabeça
Eu sou responsável por mim
Não espero céu
Eu construo o chão
A fé que me salva
É a que eu faço com a mão