Terra roubada por coronel
Sangue de vaqueiro na lei do cabresto
Nasceu no couro, cresceu no chocalho
Chocalho quebrado, virou cangaço
Rei do sertão sem coroa nem trono
Lampião, fogo que a fome acendeu
Treze anos de terra queimada
Rei decepado, cabeça no céu
Winchester canta hino de guerra
Volante foge, jagunço se ajoelha
Coiteiro esconde, padre abençoa
O sertanejo teme e idolatra
Rei do sertão sem coroa nem trono
Lampião, fogo que a fome acendeu
Treze anos de terra queimada
Rei decepado, cabeça no céu
Angico dorme sob chuva de julho
Trinta e quatro corpos, onze no chão
Traição no café da madrugada
Metralhadora cala a oração
Decepam a cabeça ainda quente
Sal e querosene, troféu de guerra
Trinta anos em vidro, moeda de feira
Museu de ossos, circo do terror
Rei do sertão sem coroa nem trono
Lampião, fogo que a fome acendeu
Sepultado só em sessenta e nove
Rei decepado, lenda que não morreu