Descubra a pessoa, dê a ela poder
Observe como o rosto muda no espelho
O que estava dormindo começa a crescer
E o que era humilde, vira pesadelo
O poder não mora no trono, mora na norma
No olhar que vigia sem que ninguém veja
Na regra que todos seguem, que ninguém informa
De onde veio, mas todos obedeça
Dê a alguém um cargo, um uniforme, um título
E veja o que era amigo tornar-se distante
O poder não corrompe, ele revela o indivíduo
Que já estava lá, esperando, arrogante
Não é o rei que controla, é a estrutura
Que faz de cada um vigia do outro
A prisão não tem grades, tem cultura
Tem discurso, tem verdade, tem o nosso
Anatomia do poder, tudo que toca, muda
Anatomia do poder, quem vigia, vicia
O sujeito que obedece, também produz
A estrutura que o faz curvar a cabeça e ceder
O dinheiro junto com o poder, é o veneno perfeito
Não porque corrompe o fraco, o forte também cai
Porque o poder cria a ficção de um direito
De decidir por outros, e ninguém mais jai
A vigilância não precisa ser câmera
Basta o medo de ser visto, de ser julgado
Internalizamos a grade, a voz, a âncora
E nos tornamos nosso próprio vigiado
Não é o rei que controla, é a estrutura
Que faz de cada um vigia do outro
A prisão não tem grades, tem cultura
Tem discurso, tem verdade, tem o nosso
Anatomia do poder, tudo que toca, muda
Anatomia do poder, quem vigia, vicia
O sujeito que obedece, também produz
A estrutura que o faz curvar a cabeça e ceder
Vigia, vigia, vigia
Você vigia, você é vigiado
O poder não é de ninguém
É a rede, é a relação, é o jogo
E você joga, mesmo sem saber
A resistência também é poder
Mas começa por ver o que te forma
Quem és antes de te obedecer?
Antes da norma, antes da reforma?
Anatomia do poder, tudo que toca, muda
Anatomia do poder, quem vigia, vicia
O sujeito que obedece, também produz
A estrutura que o faz curvar a cabeça e ceder
Quem vigia?
Quem vigia?
Quem vigia?