Antes de eu falar, já decidiram quem eu sou
Capuz é ameaça, boné é suspeita
Minha própria pele virou algema aberta
Não precisa arma, não precisa prova
Minha cor já é sentença que se renova
Atravessa a rua quando eu passo por perto
Mas sou eu que fico com o coração aberto
Alvo! Antes mesmo de agir
Alvo! Só por existir
Não é o que eu fiz, é o que eles temem ver
Minha pele condenada antes de nascer
No espelho da loja, sigo sendo vigiado
No banco da praça, sou sempre abordado
A mesma farda que devia proteger
É a primeira mão que aprende a temer
Não sou ameaça! Sou só quem eu sou!
Não sou ameaça! Antes de julgar, olhou?
Alvo! Antes mesmo de agir
Alvo! Só por existir
Não é o que eu fiz, é o que eles temem ver
Minha pele condenada antes de nascer
Antes de eu falar já tinham decidido