Eu aprendi cedo que o mundo não para
Que o boleto vence mesmo quando a mente dispara
Vi muita gente sorrindo sem saber da batalha
Das noites sem dormir e das costas que falham
Saio antes do Sol, volto depois da Lua
Construindo sonhos enquanto adio os meus na rua
Mão cheia de calo, coração cheio de guerra
Erguendo casa pros outros sem ter paz na minha terra
Dizem que sou chato porque eu vejo detalhe
Porque não aceito fazer metade do que vale
Mas ninguém vê a pressão que eu carrego escondido
Nem as vezes que sorri quando tava destruído
E se eu cair hoje, quem vai levantar?
Quem vai entender tudo que eu tive que calar?
Porque ser forte virou obrigação
E ninguém pergunta como tá meu coração
Eu sou feito de concreto, mas por dentro eu sangro
Carrego o peso do mundo e sigo andando
Fé em Deus, olho no céu, joelho no chão
Porque só Ele conhece a dor da construção
Não é só tijolo, cimento e parede
É um homem tentando vencer a própria sede
De respeito, de paz, de ser compreendido
De encontrar quem enxergue o que ficou escondido
Eu queria dormir sem pensar no amanhã
Sem calcular problema logo cedo de manhã
Sem sentir que o relógio tá sempre me cobrando
Enquanto os meus sonhos vão ficando esperando
Estudo à noite, trabalho o dia inteiro
Tentando mudar meu destino sem herdar o roteiro
Tem dia que a alma pesa mais que o corpo
Mas eu sigo porque parar seria meu desgosto
Aprendi mecânica, aprendi construção
Aprendi que confiar demais machuca o coração
E quanto mais eu conheço as pessoas ao redor
Mais eu vejo que ser verdadeiro ficou pior
Mas ainda acredito, mesmo cheio de cicatriz
Porque o homem que eu quero ser ainda existe aqui
Entre os erros, as quedas, a luta sem fim
Tem uma voz dizendo: Não desiste de ti
Todo mundo vê o prédio pronto
Mas ninguém vê a fundação enterrada
E eu sou exatamente isso
A parte que ninguém vê
Mas que sustenta tudo