Histórias, lendas e fatos de fato é o terror
Desculpa ai doutor, aqui você pede por favor
Seja lá quem for, seja o abutre ou o beija flor
Demoro sou o moleque ruim que você abandonou
Vítima do descaso e da ignorância do senhor
Com ódio no olhar, o veneno nas palavras
Sem estudo, sem profissão ou teto pra mora
Me dê um motivo pra sorri, e não chorar
Então vem ver o que eu vejo, e pare de sonhar
Qual de vocês, gostaria de estar em meu lugar
Na escola do governo, sem salário pra ganhar
Morador de favela, discriminado pela sociedade
Somos refém da sua miséria e da sua socialite
Conviver com as drogas, armas, mortes e o tráfico
Pensamentos ilícitos, terrorismo medo e descaso
Mudar de vida, suicida, camicase do caralho
Se joga na pista, no sequestro, no assalto
Tentar mudar, procurar uma brecha a saída
Meus manos, minha família aqui são vítimas
Esperança é a chave, a fechadura é ser pessimista
Filosofia Urbana, mano meu vulgo é paulysta
Não faço parte da socialite, não moro no esplanada
Minha história é outra, triste e cheia de lágrima
Desculpa ai doutor, aqui você pede por favor
Seja lá quem for, seja o abutre ou o beija flor
Sou o moleque ruim que você abandonou
Desculpa ai doutor, aqui você pede por favor
Seja lá quem for, seja o abutre ou o beija flor
Sou o moleque ruim que você abandonou
Barracos no assentamento próximo do lixão
O carcara sobrevoa, a carniça e o lixo no chão
Crianças garimpando, por migalhas sem noção
Falta espaço, falta infra estrutura, falta razão
Ai ladrão vem cantar, o que eu vivo, o que sinto
Vem viver um dia da minha vida, pra ver se minto
Você não aguenta, porque é fácil falar e não viver
Seu mundinho é pequeno ladrão, você pode crê
Mais você vai saber, depois vai pedir pra morre
Quando faltar dinheiro, quando faltar o que comer
Quando seu filho chorar, nessa o hora o que fazer
Pensamento a mil, adrenalina, o sangue a milhão
Loco sangue no zoio, o fio da navalha é a depressão
Estar entre a dignidade, a espada de são Jorge e o dragão
Matamos todos os dia um leão, decepção
Vou ironizar nosso descaso nossa decadência
E dizer que sou vencedor, na guerra da paciência
Não somos Albert Einstein e não curto ciências
Nem tão pouco Osvaldo de Sousa nem matemático
Mais sou Filosofia Urbana, e bem sistemático
Meu olhos são na rua minha vida uma automática
A sinfônia não e de Beethoven, mais tá imortalizada