O Retrato Falado do Sertão

Festival de Música Popular - Brumado

A cabaça de colo, bem cintada
Com uma corda amarrada na cintura
Um bornal com farinha e rapadura
Pendurado no cabo da enxada

A camisa velhinha já rasgada
Na cabeça usando um chapelão
Um velhote com um feixe de ração
Vai puxando uma cabra com um cabrito

Com as cenas comuns deixei descrito
O retrato falado do sertão!

Uma junta de bois vai transportando
Uma carga de palmas ou de palha
Um jumento debaixo da cangalha
Um cachorro sentado se coçando

Um bezerro perdido está berrando
Um menino armando um alçapão
Um pintinho nos pés de um gavião
Um cevado comendo na gamela

Em detalhes aos poucos pinto a tela
Do retrato falado do sertão!

Lá do meu lugarejo eu trago imagens
Do passado na roça de vovô
Na baixada lá do Pastoradô
Uma casa de humildes estalagens

E num pé de cajá lindas folhagens
Eu e os primos brincando de pião
E à noite estórias de assombração

E o menino de olho butecado
Hoje traz cá no peito bem guardado
O retrato falado do sertão!

As verdades descritas no relato
Que em versos agora deixo escrito
Só quem sabe isso tudo, eu acredito
Que é o poeta que já viveu no mato

E assim eu procedo, pois de fato
Sou nativo daquela região

Eis aí o motivo e a razão
De eu fazer meu poema sertanejo
Descrevendo em estrofes como vejo
O retrato falado do sertão!


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