O Caderno Das Estações

Walber Costa

O Sol da tarde entra pela janela do quarto
Trazendo o cheiro de um tempo que ficou guardado
Sento ao seu lado, o silêncio é uma prece
Abro o caderno, a nossa história recomece
Lembra do verão? Onde o mundo era infinito
Quando o medo era apenas um detalhe bonito?
Éramos jovens, correndo contra o destino
Sem saber que o tempo seria o nosso maior sino

E o mundo lá fora tentou nos separar
Cartas perdidas, mares a nos cruzar
Catorze invernos de silêncio e solidão
Mas o fio invisível ainda ligava o coração
Mesmo que as horas apaguem o que passou
Há um brilho nos olhos que o tempo não roubou

As palavras parecem sombras na minha mente
Quem é esse moço que me olha tão de repente?
Mas quando a voz dele soa, o mundo se acalma
Como se ele soubesse o caminho de volta pra alma
Foi o baile, foi a chuva, foi o nosso adeus?
Sinto que o amor que leio é o que sempre foi meu
Minha mãe dizia que o rumo era outro a seguir
Mas como prender um sonho que insiste em existir?

O coração cansa, as lembranças se vão
Mas o que é de verdade, vive em outra dimensão
Não importa o esquecimento, não importa a idade
Este amor é a nossa única realidade

E o mundo lá fora tentou nos separar
Cartas perdidas, mares a nos cruzar
Catorze invernos de silêncio e solidão
Mas o fio invisível ainda ligava o coração
Mesmo que as horas apaguem o que passou
Há um brilho nos olhos que o tempo não roubou

Fecho o caderno, a luz está a baixar
Amanhã eu volto, só para te reencontrar

Eu sinto que te conheço

Sempre conheci


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