O asfalto ainda guarda o desenho dos teus passos
Uma coreografia muda que o vento insiste em levar
Você cruza a avenida como quem desvia de um abraço
E meus olhos, como satélites, não cansam de te orbitar
O sinal fecha, o tempo estanca, o mundo vira aquarela
Você olha de volta, um segundo, um breve clarão
Nenhuma palavra, apenas a sombra daquela janela
Onde a gente trancou o resto de tanta ilusão
É um filme mudo em alta definição
Onde a trilha sonora é o bater do meu coração
Você caminha em círculos, numa ilha de cristal
E eu sou apenas o espectador desse ritual
E eu lembro das estradas que a gente riscou no mapa
Dos anos que viraram lembrança, das noites sem fim
Você hoje é uma estátua que o próprio silêncio escapa
Vivendo o isolamento, longe de mim
Mas em cada esquina, em cada batida do relógio parado
Eu ainda vejo o brilho da nossa viagem, o nosso legado
Você usa o casaco como se fosse uma armadura
Escondendo o mapa das estrelas que a gente tatuou
É estranho ver sua luz vivendo essa clausura
Como um farol que esqueceu o barco que já ancorou
Eu guardo as memórias como relíquias de um império
Fragmentos de risos, brigas, viagens ao sul
Hoje o nosso nós virou um mistério
Uma cor primária que perdeu o tom do azul
Não precisa dizer, eu leio na curva da tua boca
O peso do tempo que a gente deixou passar
É uma melodia que, mesmo sendo louca
Ainda é a única que eu sei cantar
(Sem tocar, sem falar, só deixar pensar)
E eu lembro das estradas que a gente riscou no mapa
Dos anos que viraram lembrança, das noites sem fim
Você hoje é uma estátua que o próprio silêncio escapa
Vivendo o isolamento, longe de mim
Mas em cada esquina, em cada batida do relógio parado
Eu ainda vejo o brilho da nossa viagem, o nosso legado
A rua esvazia, o Sol perde o chão
Você segue em frente, eu sigo em oração
Um olhar, nada mais
A história continua, mesmo que não viva mais
O beco das esquinas
Onde a gente ainda se encontra