Se acaso não entender o meu pranto
Sonando em noite serena no ar
Te aconselho, amigo, prepara um mate
Sorver o amargo, ajuda o verso a falar
Dois ovelheiros, baio manso e do galpão
De chão batido, voa fumaça no ar
Vidinha simples das coisas, ao redor das casas
Flor de pitanga, uma sanga meu lugar
Fiz estes versos pra quando o inverno chegar
Cinzento agosto de vento, barro e girar
E pra quando a saudade vier com os meus
Ter a certeza e a fé de seguir a estrada
Se acaso não souberes destas rimas
Que andam fazendo escramuças no coração
Logo, logo se ajeita no assovio
E sai da alma a mais singela canção
Lembra da infância do guri de calça curta
Que de taquara fez um pingo pra brincar
E logo ali, além dos cerros no horizonte
Está o verso, braço aberto a te esperar