PORQUE TE CANTO EM MILONGAS

Volmir Coelho

Juntito ao pé do braseiro
Que se consome aos pouquitos
Recosta os avios do mate
E que a pouco domei solito
A Lua cheia desponta
Pra acompanhar a boieira
Deixando o céu mais bonito
Prateando campo e mangueira
Eu sorvo goles, pedindo
E então dedilho o violão
Tentando encurtar distância
Te canto numa canção

Milongas, milongas
As noites se tornam longas
Quando te canto em milongas
Milongas, milongas
As noites se tornam longas
Quando te canto em milongas

Te sinto em todos lugares
No vento, orvalho ou sereno
E até na cuia do mate
Sinto teu corpo moreno
E quando abraço o violão
Te sinto junto de mim
Meus dedos tocam nas cordas
Como carícias sem fim
Lembro o sabor dos teus beijos
O gosto suave do vinho
Te busco em noites de rondas
Mas amanheço sozinho


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