Cheguei com o peito aberto
Saí cheio de marcas
Paredes que deviam proteger
Viraram lâminas afiadas
Olhares que cortam
Palavras que pesam no ar
Silêncio nos cantos
Como se eu não merecesse estar
Rostos que passam e fingem que não me veem
Eu viro um fantasma no meio de quem diz que é alguém
Nunca achei chão firme
Só areia que escorrega
E a única luz de verdade
Foi embora cedo na estrada
Desgraça disfarçada de rotina todo dia
Raiva que cresce quieta, mas já tá no fim da linha
Falaram o que não era, espalharam o que não vi
Agora sou piada em boca que eu nem conheci
Esse lugar me quebrou devagar
Deixou cicatriz que ninguém aqui nunca vai ver
Risadas que vêm de longe ecoam no recreio
Cabeça baixa, passo rápido querendo desaparecer
Enquanto o mundo ao redor finge que tá tudo no lugar
Acumulei um grito que não cabe mais dentro
Noite após noite revivendo o que ninguém entende
Tô gostando de fingir que ainda tenho paciência
Esse ciclo tá me matando
Em câmera lenta
Eu tô no limite prestes a não aguentar
Raiva misturada com cansaço de carregar
Queria apagar o dia que cruzei essa porta
Ou então criar coragem para nunca mais voltar
Tristeza disfarçada de rotina todo dia
Me quebraram por dentro, mas eu ainda respiro
Um dia eu saio daqui, carregando só o que eu preciso
E deixo para trás todo esse veneno que me fez prisioneiro