Estou farto de não gostar de mim
De ter que pedir desculpas
Até quando respiro
Estou farto de me esconder
Atrás de um personagem comedido
Enquanto o meu interior tá morrendo de frio
Eu na multidão
Dando curto-circuito
Com gente que me oferece um agora insano
Eu olho
As tuas mãos me acenam vivas
Ainda dá tempo!
Você parece me dizer
Trouxe caixas coloridas
Cheias de riscos
Que eu não sei se estou disposto a correr
Porque parece que amor seguro e verdadeiro
É só mais uma invenção
Escuta!
Você falou
Sem falar
O mundo grita tanta mentira
Que eu desaprendi a me escutar
Então eu corro
Queimando as minhas versões antigas
Por onde eu passo
Cansei de verdades sem vida!
A alma castiga o corpo
Quando a gente não vive da forma que ela deseja
E também quando a gente aceita migalhas de sonhos
Chamando isso de maturidade
Você voltou
E eu tremi na base
Alegria divina nunca foi meu forte
E ela também dá vertigem
Ser feliz exige coragem
Até mais coragem do que ser triste
Só que o ar ainda tá pesado
E amar nunca foi meu colete à prova de insanidade
Então
Entendi uma coisa
O maior perigo era eu desistir de mim
Não é a cicatriz que reconhece um amor
É quem fica quando o encanto cai
E daí vem a pergunta
Você vem ou vai ficar?
Vamos ter ideias juntos
Mesmo que achem loucura
Porque toda revolução começa por dentro
Quando alguém decide pelas próprias curas
Agora chove pesado
Antes, ventava coragem
Agora, venta impulso e decisão
E se for pra fugir
Que seja pra dentro
Em lugares internos
Que nunca ousei ir
Porque eu tô farto de não gostar de mim
Eu olho
Você me acena de novo com suas mãos tão vivas
Tá
Eu vou, vida!
Fui
E finalmente
Tô começando a gostar de mim!