Eu já vi a pressa
Vestida de destino
Engolindo os nomes
De quem nasceu menino
Aprendi na queda
Que correr também cansa
E que a vida muda
Quando a gente alcança
Não quero a jaula
Do que já foi dito
Quero o risco vivo
Do caminho em ruído
Deixa a manhã
Rasgar o vidro
Me dá um rumo
Sem mapa e sem vício
Se eu for inteiro
Vou mais fundo
Porque viver devagar
Também pede um mundo
Eu vou buscar
Vou buscar
O que me faz ficar de pé
Eu vou viver
Vou viver
Com fome de céu e chão sob os pés
Eu vou sonhar
Vou sonhar
Até o medo aprender a ceder
Carrego no bolso
Um pão e um bilhete
Meu peito não cabe
Num único enfeite
Tem estrada no sangue
E sal nos meus olhos
Tem nome de porto
Nos meus desalojos
Quero cidades
Que não me pertençam
E amigos que saibam
Das minhas ausências
Quero a noite aberta
Sem pedir licença
E o Sol me encontrando
Na próxima distância
Deixa a manhã
Rasgar o vidro
Me dá um rumo
Sem mapa e sem vício
Se eu for inteiro
Vou mais fundo
Porque viver devagar
Também pede um mundo
Eu vou buscar
Vou buscar
O que me faz ficar de pé
Eu vou viver
Vou viver
Com fome de céu e chão sob os pés
Eu vou sonhar
Vou sonhar
Até o medo aprender a ceder
Se eu tiver que perder
Que seja o excesso
Se eu tiver que voltar
Que volte mais denso
Não peço abrigo
Peço horizonte
Não quero resposta
Quero a ponte
E quando a idade
Me chamar pelo nome
Que eu esteja longe
Mas nunca ausente
Eu vou buscar
Vou buscar
O que me faz ficar de pé
Eu vou viver
Vou viver
Com fome de céu e chão sob os pés
Eu vou sonhar
Vou sonhar
Até o medo aprender a ceder