Construimos Vossas Vidas

Valdiner Pereira

Sempre que a escuridão surge de mansinho
Minha mente se perde na imensidão
Vou revirar velhas fotos guardadas
E desperto o que enterrei na solidão
Tentei apagar suas marcas do meu peito
Mas a lembrança insiste em sufocar
Quanto mais juro que mudei de rumo
Mais meu corpo implora para te encontrar

Cada um de nós refez a própria jornada
Traçamos planos longe um do outro aqui
Mas resta uma chama viva e trancada
Que o vento dos anos não pôde extinguir
Sei que o passado não aceita retorno
E o destino não vai ceder ao nosso querer
Mas quando o vazio invade a minha casa
É o teu contorno que eu volto a ver

Solidão, me deixa em paz de uma vez
Não venha na calada da noite me assombrar
Já perdi as contas de quanto te evitei
Mas você descobre uma brecha para voltar
Solidão, tenha piedade de nós dois
Dá uma trégua para eu respirar
Se essa paixão virou folha passada
Por que o pensamento insiste em te chamar?

Há caminhos que se cortam sem um aviso
E viram promessas sem um ponto final
Duas almas que caminham separadas
Sentindo o peso de um adeus desigual
Não faço ideia se eu passo na sua mente
Ou se o peito aí também costuma sangrar
Só sei que quando o passado me abraça
Fica claro que nada pôde te apagar

Quem sabe o amanhã me traga a resposta
Do porquê a vida nos fez desandar
Talvez os dias curem essa cicatriz
E o silêncio me ensine a recomeçar
Mas enquanto a razão não vencer o peito
Vou arrastando esse nó como Deus quiser
Aceitando que certas feridas abertas
A gente aceita a perda, mas não perde a fé

Solidão, me deixa em paz de uma vez
Não venha na calada da noite me assombrar
Já perdi as contas de quanto te evitei
Mas você descobre uma brecha para voltar
Solidão, tenha piedade de nós dois
Dá uma trégua para eu respirar
Se essa paixão virou folha passada
Por que o pensamento insiste em te chamar?

Se houver outro canto no mundo pra essa dor
Que fique bem longe do meu coração
Leva as promessas que o tempo desgastou
O toque, o calor e a nossa ilusão
Não aguento mais essa eterna metade
Preso entre a regra e o que eu permiti
Se o meu destino foi te dar a vida
Aprender a te esquecer é o que eu não consegui

Quando o romper da aurora apagar o céu
E o mundo inteiro se calar ao redor
Quem sabe o peito finalmente descanse
E essa agonia se transforme em algo melhor
Mas se o destino te trouxer de volta
Eu vou lembrar de tudo o que reneguei

Tem amor que a gente arranca da rotina
Mas não consegue arrancar do coração


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