Mentes Aflitas

Tião Folk

Sophia e o relógio
Se encaravam no quarto
Sozinhos ao som dos ponteiros
O alarme vai tocar

Na mesa a sua frente
Há cartas que nunca enviou
Com palavras que rodam
Na mente iguais ao ponteiro
E seu tilintar

Tristes mentes aflitas
Coração se dilata pra caber toda dor
Que o mundo gerar

Triste gente sozinha
Segundos se arrastam por horas a fio
Em ponteiros grandes e lentos
Que só podem girar

Luís, zelador
Segura a vassoura
Com a mesma mão
Que fez seu café solitário
Hoje de manhã

Assobia uma música alta
Que ecoa no chão
Molhado e brilhante
Que logo vai sujar

Tristes mentes aflitas
Coração se dilata pra caber toda dor
Que o mundo gerar

Triste gente sozinha
Segundos se arrastam por horas a fio
Em ponteiros grandes e lentos
Que só podem girar

Na igreja vazia
Ecoa a prece de um só
Cujas mãos suadas repousam
No banco frio

As paredes testemunham
O fracasso de um pecador
E seu perdão

Tristes mentes aflitas
Coração se dilata pra caber toda dor
Que o mundo gerar

Triste gente sozinha
Segundos se arrastam por horas a fio
Em ponteiros grandes e lentos
Que só podem girar


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