Você larga as botas perto da porta
E joga a chave no pote de vidro
Eu guardo a ponta do bolo de rolo
Você dá risada do meu jeito bobo
O rádio do carro chia na subida
A gente já sabe a canção que acalma
Divido o café na garrafa térmica
E o peito esquenta com a sua risada
Amor é sua mão cobrindo a minha
Naquela porteira de estrada de chão
Sua velha fivela, meu lenço de chita
Um sim bem baixinho pro meu coração
Sem festa chique, sem vista de praia
Só o rastro do ipê e você na garupa
Você sabe a telha que vaza na chuva
Eu sei o cansaço que pesa nos ombros
Trocamos de marcha, trocamos de prosa
E a vida clareia de um jeito tão doce
Amor é sua mão cobrindo a minha
Naquela porteira de estrada de chão
Sua velha fivela, meu lenço de chita
Um sim bem baixinho pro meu coração
Sem festa chique, sem vista de praia
Só o rastro do ipê e você na garupa
E quando o cabelo pintar de geada
E a madeira da casa estalar com o vento
Eu olho pro lado e te encontro na mesa
Guardando o pedaço mais doce do tempo
Amor é sua mão cobrindo a minha
Naquela porteira de estrada de chão
Sua velha fivela, meu lenço de chita
Um sim bem baixinho pro meu coração
Sem festa chique, sem vista de praia
Só o rastro do ipê e você na garupa
Nossa estrada de chão
Sempre com você