Vontade

Tárik de Oliveira

Não me deixe repetir que não vejo mais o que a vista alcança
Não me deixe desconfiar daquilo que nunca foi nada demais
Não deixe que eu me imprense de novo por vontade própria
E não deixe eu me vestir com o hábito de qualquer modo que for

As coisas que não se cabem umas nas outras não vou mais medir
Não deixe eu me prender no meio do agarrão de se necessitar
Me deixe achar que é seguro a cinco pés do chão
E me deixe quase recear ao ouvir uma voz conhecida chamar

Me deixe me devolver no reflexo que em troca vê
E me deixe ter mais uma vez o que já é meu há muito tempo
E me deixe espalhar meu baralho num tapete e no chão me sentar
Me deixe lembrar que os dias são só números e nada mais

Agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora
Agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora
Agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora, agora


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